D. Sebastião - O Desejado

D. Sebastião – O Desejado

Como a Coroa portuguesa corria o perigo de ficar na posse dos Espanhóis, o nascimento de D. Sebastião era esperado com muita expectativa e ansiedade. Por isso, ficou conhecido na História de Portugal como o Desejado. Vamos descobrir um pouco mais sobre a sua vida.

  • D. Sebastião nasceu em 1554, em Lisboa. Era filho de D. Joana de Áustria e do príncipe D. João Manuel, que morreu antes do seu nascimento. Nesta época, D. João III, avô de D. Sebastião, era o rei de Portugal.

  • Em 1557, quando D. João III morreu, o único herdeiro português era o seu neto, D. Sebastião. Mas este não podia governar, porque só tinha três anos de idade. Assim, a regência do reino foi assegurada pela sua avó, D. Catarina, e mais tarde pelo seu tio-avô, o cardeal D. Henrique.

  • D. Sebastião foi educado até aos três anos pela sua avó. Depois ficou entregue a um velho aio e teve ainda como mestre um padre jesuíta. Estes dois tiveram uma influência enorme no desejo que D. Sebastião tinha de ir até África e aí combater os infiéis.

  • Quando fez catorze anos, foi aclamado rei e rapidamente começou a preparar uma expedição ao Norte de África, pois queria conquistar Marrocos aos Mouros. Tinha um sonho: conquistar cidades no Norte de África e aí fundar um grande império português.

  • Em 1572, foi publicada a primeira edição da epopeia de Camões, Os Lusíadas. Como retribuição pelos serviços de Camões prestados na Índia e pela redação desta epopeia, D. Sebastião atribuiu-lhe uma quantia anual de 15 mil réis.

  • Em 1578, contrariando a vontade dos mais prudentes, o jovem rei partiu para Marrocos com um exército de cerca de 17 mil homens e, em Alcácer Quibir, travou a infeliz batalha que havia de ficar célebre pela humilhante derrota dos Portugueses. Nesta batalha, D. Sebastião desapareceu. Um corpo identificado como se fosse o seu está sepultado no Mosteiro dos Jerónimos, em Lisboa.

  • A morte de D. Sebastião provocou uma crise de sucessão, porque ele não tinha descendentes. O trono foi então ocupado pelo seu tio-avô, o cardeal D. Henrique, já velho e doente, que também não tinha descendentes. Por isso, surgiram como pretendentes ao trono português os netos do rei D. Manuel I e tios de D. Sebastião, dos quais se destacam Filipe II, rei de Espanha, D. Catarina, duquesa de Bragança, e D. António, prior do Crato.

  • No ano de 1581, nas cortes de Tomar, Filipe II, rei de Espanha, foi aclamado rei com o título de «Filipe I de Portugal», prometendo manter a autonomia do país, respeitar os seus costumes e as suas leis e conservar a sua moeda e a sua língua oficial, o português.

  • Portugal tinha perdido a independência política. No entanto, o povo acreditava que o seu rei, D. Sebastião, não tinha morrido e havia de regressar, montado no seu cavalo, num dia de nevoeiro. Esta crença popular ficou conhecida na História como «sebastianismo». Este mito continua a marcar a nossa mentalidade, pois, sempre que o país atravessa dificuldades, esperamos que apareça alguém para nos salvar.